ASTRONOMIA ATRAVÉS DA JANELA > SPICA, A ESTRELA DA SEMANA

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ASTRONOMIA ATRAVÉS DA JANELA > SPICA, A ESTRELA DA SEMANA

 

Quem conferiu aqui nossa matéria sobre a estrela Castor da constelação de Gêmeos, já sabe: algumas estrelas que nos parecem, a olho nu, isoladas no céu, vivem na verdade em verdadeiras “comunidades estelares”.  Nossa estrela da Semana, Spica, é mais um exemplo.

 

Situada em Virgem, a maior das constelações zodiacais, Spica é uma estrela branco-azulada de fácil observação no outono e inverno do Brasil. Você pode olhar para sua janela do lado Leste por volta de 20h e verá Spica na parte mais elevada do céu, ao lado das quatro estrelas (como um quadrilátero) da constelação de Corvo, acima e à direita da estrela brilhante laranja Arcturus.

 

Na mitologia grega, a estrela representa o ramo de trigo empunhado pela Virgem, representada pela deusa Astréia (deusa da justiça, pureza e inocência).

 

Situada a cerca de 250 anos-luz da Terra, Spica é uma das gigantes azuis mais estudadas. Seu sistema estelar foi descoberto há mais de cem anos pelo astrofísico Hermann Vogel, pioneiro no estudo da espectroscopia estelar, uma técnica poderosa, que permite com que saibamos de quê as
estrelas são feitas.

 

No caso de Spica, há duas estrelas azuis massudas. Ambas são bem maiores que o Sol e  giram muito próximas uma da outra, tal que mesmo colossais, elas gastam apenas 4 dias nessa órbita. Esses casos orbitais extremos geram efeitos de radiação e gravidade importantes. Um deles é que ambas as estrelas devem ser distorcidas, tomando a forma, “exageradamente falando”, de algo como uma bola de futebol americano.
Veja a imagem esquemática em anexo desse post, mostrando a comparação do tamanho das estrelas (Spica A e B) com o Sol e do
tamanho da órbita do par estelar com a órbita de Mercúrio.

 

Uma das coisas interessantes sobre o futuro de Spica é a possibilidade de transferência de matéria de uma estrela para outra ou mesmo a
junção de ambas em apenas uma única estrela. Caso ocorra, isso é esperado para daqui a alguns milhões de anos. O que vem depois disso?
Um sistema contendo uma estrela de nêutrons e uma anã branca ou mesmo um famigerado buraco negro. O Cosmos dirá.

 

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Não se esqueça, no dia 01/05, às 20h, #DesligueAsLuzes e viva um mundo melhor e com mais estrelas.

 

Crédito do mapa: Stellarium, Copyright © 2004-2020 Fabien Chereau et al., GNU General Public License
Crédito da figura esquemática de Spica: Daniel Mello e Observatório do Valongo.
Credito: imagem de Spica: Digitized Sky Survey (DSS) e Space Telescope Science Institute.